sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Virtuoso Criador




Revendo a historiografia tradicional, que consagrou Machado de Castro sobretudo como escultor da Estátua Equestre de D. José I e como autor de presépios, os comissários – Ana Duarte Rodrigues e Anísio Franco – pretendem tornar evidente, aos olhos do público, Machado de Castro como um estatuário à la grande maniera romana.Senhor de uma longevidade imensa – morreu aos 91 anos –, fundou a primeira aula de escultura em Portugal, para formar artistas que colaborassem no seu Laboratório, e lutou pela elevação do estatuto da escultura no País.A Estátua Equestre de D. José, a Fonte do Neptuno do Chafariz do Loreto, as esculturas da Basílica da Estrela e do Palácio da Ajuda, em Lisboa, a estátua de D. Maria I (agora, na Biblioteca Nacional) ou os bustos da Cascata dos Poetas da Quinta do Marquês de Pombal, em Oeiras, são algumas das obras monumentais criadas pelo artista. As circunstâncias levaram ainda Machado de Castro a produzir imaginária religiosa, da qual são exemplos Santa Ana Ensinando a Virgem a Ler (MNAA), a Virgem da Piedade (Capela Palatina de Salvaterra de Magos), São João Baptista (Igreja Matriz de Almeirim), Nossa Senhora da Encarnação (Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, Lisboa). O artista realizou também escultura funerária, como os túmulos de D. Mariana de Áustria, no Real Hospício de S. João Nepomuceno (hoje, no Museu Arqueológico do Carmo), ou o de D. Mariana Vitória, na Igreja de S. Francisco de Paula, na freguesia dos Prazeres em Lisboa.Ocupando todo o Piso 0 do MNAA, dividida em oito núcleos, a exposição insere-se num programa de divulgação da obra deste virtuoso criador, que engloba a intervenção na Estátua Equestre de D. José na Praça do Comércio (coordenada pelo World Monuments Fund) e o colóquio internacional “Machado de Castro. Da Utilidade da Escultura”, organizado pela Universidade Autónoma de Lisboa em colaboração com a Câmara Municipal de Oeiras, que conta, na conferência inaugural (a 19 de Maio, no MNAA), com intervenções de José-Augusto França e Alexandre Quintanilha.



Comissários: Ana Duarte Rodrigues e Anísio Franco




Muita gente conhece a estátua equestre de D. José I, no Terreiro do Paço ou já terão ouvido falar dos presépios de Machado de Castro. Foi com a estatuária e com os presépios que o escultor se consagrou. Esta exposição quer acrescentar-lhe mais artista. A narrativa da exposição está muito bem conseguida, pelo que, sugiro aos mais interessados que recorram às visitas guiadas. Logo no início está a ampliação de uma gravura onde um cego está representado no atelier do escultor como que a denunciar a diferença entre a pintura e a escultura, dizendo-nos que a última pode ser apreciada até por um cego.


Transporte da estátua para o Terreiro do Paço



Albumina n.d. Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria






Réplica em gesso da estátua equestre de D. José I.




Generosidade, Palácio Nacional da Ajuda




Gratidão, Palácio Nacional da Ajuda






Basilica da Estrela


















































Presépio da Basílica da Estrela






D. Maria I é a única monarca portuguesa da dinastia de Bragança (excepção feita a D. Pedro, imperador do Brasil, que se encontra em São Paulo) que não se encontra no Panteão dos Braganças mas sim na Basílica da Estrela que ela mesma mandou erguer. Por detrás do imponente túmulo de D. Maria I está o presépio de Machado de Castro.

















Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.Presépio em terracota policromada, atribuído a Machado de Castro (ca. 1782/83), localizado na sacristia lateral do lado da epístola.
Trata-se de uma obra de referência nacional, do século XVIII. Dos inúmeros núcleos conhecidos, este é o mais monumental (5,0 metros de frente X 4,0 metros de altura X 3,5 metros de profundidade) e dos poucos que ainda se encontra montado na estrutura em madeira e cortiça. Tem um total aproximado de 500 figuras. Tal como nos outros presépios barrocos, encontram-se representados seis momentos fundamentais: a Natividade, como cena central, com uma estrutura arquitectónica com anjos suspensos, e composta pela Sagrada Família, a vaca e o burro; a Adoração dos Reis Magos, com os respectivos cavalos e estribeiros; a Adoração dos Pastores e Populares, com as várias figuras típicas; o Cortejo Régio, na parte superior; a Anunciação aos Pastores (à esquerda do observador), e a Matança dos Inocentes (à direita do observador). O restante espaço é preenchido com figuras do povo e cenas do quotidiano. Suspensas, cinco nuvens com anjos, querubins e putti. (Fonte: IPCR) [CFT003 080058.ic]
































Virtuosidades da Câmara de Lisboa

A propósito de virtuosidades, não há bela sem senão... Aproveitamos a exposição O Virtuoso Criador, que se encontra no Museu Nacional de Arte Antiga, para voltarmos a falar do n.º 18 da Rua dos Caminhos de Ferro, assunto de que já falamos desde 2008.




Lisboa SOS / 2008
Joaquim Machado de Castro (1731-1822) - escultor e estatuário, filho de Manuel Machado Teixeira e de sua primeira mulher, D. Teresa Angélica Taborda. Em 9 de Fevereiro de 1814, foi eleito sócio correspondente da Academia Real das Ciências e, alguns anos depois, a mesma Academia entregou-lhe a medalha de ouro com que distinguia as personalidades de mérito. D. José nomeou-o escultor da Casa Real e responsável pelas Obras Públicas, funções que exerceu igualmente nos reinados de D. Maria I e de D. João VI. Este monarca nomeou-o director de toda a escultura do Palácio da Ajuda e das obras reais. Lente da Aula de Escultura, mestre de gerações, Machado de Castro foi, além dos presépios que o notabilizaram, o autor da estátua equestre de D. José que se encontra no Terreiro do Paço. Morava nesta casa, à Rua dos Caminhos-de-Ferro, n.º 18, junto a Santa Apolónia. O estado em que o edifício se encontra fala por si. É assim que Lisboa agradece a Machado de Castro a estátua equestre de D. José.







3 comentários:

Portugalredecouvertes disse...

Post muito bonito!
obrigada

Portugalredecouvertes disse...

já terá sido feito alguma coisa por esta casa?

José Luís Coelho disse...

Reparei hoje 13 de Fevereiro de 2014 que colocaram placas que indicam obras nesta casa. Qual será o seu destino?. Mais um hostel ou mais uma pensão?